Empresas indígenas e comunitárias

janeiro 1, 2017

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Iniciativas criativas que apoiam a conservação da floresta

Por Chris Meyer e Juliana Splendore

Atualmente existem várias empresas e projetos comunitários e indígenas em toda a Amazônia brasileira contribuindo para a conservação da floresta. Essas iniciativas não só geram renda, mas também criam oportunidades para o desenvolvimento local de acordo com os valores dos povos indígenas e comunidades tradicionais.

Como parte de um projeto para fomentar o crescimento dessas empresas, o EDF identificou diversos exemplos desse tipo na Bacia Amazônica e usou o Atlas da iniciativa Canopy Bridge para colocá-los no mapa.

Estudos de caso de três iniciativas emblemáticas deste tipo no Brasil mostram como as comunidades que vivem na floresta amazônica estão criando parcerias comerciais que valorizam seus produtos tradicionais e oferecem alternativas sustentáveis às atividades econômicas baseadas no desmatamento.

A Cooperativa de Quebradeiras de coco Babaçu

A Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (CIMQCB) é uma cooperativa descentralizada formada por mulheres que vivem em comunidades florestais e coletam o coco babaçu. A CIMQCB vende seus principais produtos – sabão, óleo e farinha de babaçu – a vários tipos de clientes locais, regionais e nacionais.

Os objetivos da cooperativa vão além da comercialização de produtos de babaçu. A CIMQCB tem sua origem em um movimento social histórico no Norte do Brasil: o Movimento Interestadual de Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB). Os principais objetivos deste movimento são: garantir que as quebradeiras de coco tenham acesso às palmeiras de babaçu, preservar os babaçuais e promover a igualdade de gênero e políticas extrativas sustentáveis.

As parcerias com programas de desenvolvimento estrangeiros e nacionais têm sido essenciais para o seu desenvolvimento organizacional. No entanto, a cooperativa ainda enfrenta grandes obstáculos, como o registro oficial e a estruturação legal de muitas de suas unidades de produção.

A extração do coco babaçu tem consequências positivas para a preservação das palmeiras de babaçu e do seu ambiente circundante. Além disso, o investimento da CIMQCB em treinamento e produtos de qualidade contribui para a valorização de outros mercados de produtos não madeireiros na região amazônica.

Leia o estudo de caso completo.

A Farinha de Mandioca do povo Jupaú

O povo indígena Jupaú, também conhecido como Uru-Eu-Wau-Wau, foi oficialmente contatado pela primeira vez há quarenta anos no Estado de Rondônia. Suas técnicas tradicionais de processamento de farinha de mandioca criaram um sabor único e geraram uma demanda significativa por seu produto.

A produção e a comercialização de farinha de mandioca são administradas inteiramente pelos Jupaú. O único apoio externo ainda necessário é para o transporte de produtos e para os cursos de formação. Os Jupaú são beneficiados por uma assessoria flexível e culturalmente apropriada da Associação Kanindé, que lhes oferece cursos para a melhoria da produção de mandioca, por exemplo.

Os principais desafios para os produtores de Jupaú são a estruturação formal de seu negócio e a expulsão dos invasores de suas terras; tais como madeireiros ilegais, mineiros e agricultores não-indígenas. Apesar desses desafios, a produção de farinha de mandioca garante a subsistência, a segurança alimentar e uma melhor qualidade de vida dos Jupaú dentro do território indígena.

Leia o estudo de caso completo.

A Rede de Sementes do Xingu

A Rede de Semente do Xingu (RSX) foi oficialmente criada em 2007 por um conjunto de indivíduos e de organizações que trabalham para o desenvolvimento comunitário na região do rio Xingu. A rede comercializa sementes de cerca de 200 espécies nativas diferentes que são usadas para o reflorestamento em regiões da Amazônia e do Cerrado. As mulheres indígenas desempenham um papel fundamental na rede de sementes, especialmente no Parque do Xingu, onde essa atividade é uma importante fonte de renda para elas.

Semelhante aos outros casos, as regulamentações comerciais e a obtenção das licenças adequadas têm sido grandes desafios para a RSX. Além disso, o Código Florestal Brasileiro – que no início havia gerado uma demanda significativa por suas sementes – sofreu mudanças recentes que ocasionaram a diminuição da demanda.

O apoio financeiro e técnico dos doadores tem sido essencial para o crescimento da RSX e para o desenvolvimento de capacidades dos coletores de sementes. A rede de sementes também contribui para a diversificação econômica, reduzindo a dependência de atividades ligadas ao gado ou à soja. Esta nova fonte de renda tem o benefício adicional de aumentar a segurança alimentar e incentivar a criação de sistemas agroflorestais.

Leia o estudo de caso completo.

Esses casos nos mostraram desafios comuns enfrentados por muitas empresas indígenas e comunitárias, tais como o cumprimento de regulamentações governamentais e a estruturação formal de seus negócios de acordo com normas burocráticas da sociedade não indígena. Por outro lado, iniciativas como estas têm sido bem-sucedidas em aproveitar oportunidades-chave, como conectar-se com programas governamentais, engajar mulheres e encontrar os parceiros certos.

A fim de maximizar os impactos dessas empresas comunitárias e indígenas em toda a Amazônia, o EDF e seus parceiros trabalharão com eles para superar os principais desafios e ampliar seus negócios. Estas soluções criativas de comunidades florestais podem desempenhar um papel ainda mais importante nas ações globais para conservar o que ainda resta da floresta amazônica.

Quem está envolvido