Queimando o Bananal

Conhecimentos tradicionais vitais para o combate de incêndios florestais

Brasil

Duração: 8:57


Available in 4 languages


Lançado: setembro de 2018

Click to play video

Os incêndios florestais estão aumentando em frequência e gravidade no mundo todo, consumindo florestas e destruindo vidas. Há uma forma mais eficaz de combatê-los?

Combatendo fogo com fogo

As práticas tradicionais de manejo do fogo oferecem muitas respostas. Queimadas controladas, antigamente proibidas por autoridades coloniais, têm sido utilizadas por povos indígenas para manter suas terras e florestas, e para proteger suas comunidades de incêndios florestais de grandes proporções.

Nos últimos anos, o Ministério do Meio Ambiente do Brasil vem trabalhando em parceria com comunidades indígenas. Eles estão aprendendo com os indivíduos mais velhos práticas de manejo do fogo, empregando indígenas no combate a incêndios e investindo na aplicação dessas práticas em larga escala. Essa abordagem evoluiu até se tornar a estratégia Manejo Integrado do Fogo, que utiliza queimadas planejadas em épocas específicas do ano para evitar a destruição de grandes áreas na temporada de calor e seca, quando costumam ocorrer grandes incêndios sem controle. Os conhecimentos tradicionais são a base de todo o trabalho das queimadas planejadas em territórios indígenas e já vêm sendo empregados em sete estados brasileiros (Mato Grosso, Roraima, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão, Tocantins e Amazonas) sobre mais de 11 milhões de hectares de territórios indígenas.

Veja como isso funciona na prática no curta Queimando o Bananal.

Sociedades do mundo todo terão dificuldades para lidar com os crescentes impactos das mudanças climáticas. Nesse momento tão crítico da humanidade, precisamos escutar, aprender, respeitar e apoiar os conhecimentos tradicionais dos indígenas.

  • Dados importantes

    • A Ilha do Bananal é a maior ilha fluvial do mundo e possui uma área de quase dois milhões de hectares (20.000 km²). Ela se situa no cerrado brasileiro, na extremidade da região amazônica, e é um dos territórios indígenas que mais sofrem com incêndios no Brasil.
    • O fogo é parte dos ciclos naturais dos ecossistemas de cerrado, constituindo um fator de alteração ambiental que aumenta sua diversidade biológica.
    • O fogo é uma ferramenta fundamental das práticas tradicionais para a promoção do cultivo de frutas. Ele afasta a concorrência do capim ao redor das árvores frutíferas, não afeta a floração quando são realizadas queimadas programadas de baixa intensidade e, durante a temporada de incêndios florestais, as frutas produzidas ficam protegidas de grandes queimadas sem controle.
    • Tradicionalmente, os membros da comunidade também realizam queimadas em momentos específicos do ciclo lunar para promover o crescimento de diferentes espécies vegetais.
    • Em 2007, um projeto que tentava proibir totalmente o fogo entre o grupo indígena pareci no estado do Mato Grosso foi rejeitado por seus membros mais velhos. Eles destacaram a importância do manejo do fogo para a conservação do ecossistema do cerrado. Em resposta, o projeto investigou os objetivos, princípios e métodos das práticas tradicionais, gerando um exercício conjunto de queimadas planejadas com a comunidade indígena. Mas foi somente em 2014 que teve início um programa piloto completo de Manejo Integrado do Fogo no território indígena xerente.
    • Hoje, o IBAMA compreende que a melhor forma de proteger esses ecossistemas é lidar com algumas áreas utilizando essas queimadas de baixa intensidade e realizadas em diferentes momentos na forma de “mosaicos” para permitir o ressurgimento da vegetação. Eles queimam diferentes partes de uma área em épocas distintas para assegurar a produção de alimento durante todo o período de queimadas. Isso é diferente de um incêndio florestal, que queima toda a área de uma só vez e impede que os animais tenham aonde ir e o que comer.
  • RELATÓRIO: Parcerias nascidas do fogo

    Com os incêndios florestais se tornando cada vez mais letais em todo o mundo, instituições de combate ao fogo e povos tradicionais estão unindo suas experiências e conhecimentos para reduzir o risco de incêndios catastróficos e apoiar práticas culturais. Por Andrew Davies, PRISMA Foundation.

    Casos da Califórnia, Guatemala e Brasil.

    Leia o RELATÓRIO AQUI.

  • Etapas do Manejo Integrado do Fogo

    1. Recuperação dos conhecimentos tradicionais: reunir os detentores dos conhecimentos tradicionais e aqueles que utilizam as terras atualmente (onde, quando e por que vocês queimam?).
    2. Zoneamento das áreas: dividir as áreas e identificar prioridades de conservação.
    3. Mapeamento de áreas com acúmulo de capim seco (combustível para incêndios florestais).
    4. Realização de queimadas planejadas durante o período estabelecido.
    5. Avaliação: as queimadas foram eficazes?
    1. Os momentos dessas etapas dependem das estações e do clima de cada região.No caso da Ilha do Bananal, grande parte da área é inundada durante a estação das chuvas de dezembro a maio. Depois, ela seca rapidamente e se torna um foco de incêndios florestais entre agosto e novembro. Nesse caso, o período das queimadas planejadas vai de maio a agosto, quando o capim ainda está úmido.

Recognition to Land, Territories and Resources

Communities need ownership over their ancestral land in order to protect forests. With no formal land title traditional communities often face serious conflict when trying to evict illegal loggers, poachers and land grabbers. Who will believe their claims without precise maps and legal title deeds?

Saiba mais
Sign up to our newsletter Subscribe